domingo, 22 de março de 2009

A Cabana - William P. Young

A mensagem do livro "A Cabana" é envolvente... Trata-se de uma narrativa ficcional, nela o autor constrói uma belíssima imagem humanizada de Deus.

A Suprema Divindade, seu filho Jesus, e o Espírito Santo assumem papéis no enredo que desenvolvem entre si um relacionamento harmonioso estruturado no respeito, na tolerância, na abnegação, na gentileza, no prazer de servir sem pretensões, preenchendo os espaços da relação com os cuidados do carinho, do afeto demonstrando que na vida o que nos parecem pequenas gentilezas são sutilezas extremamente essenciais que materializam o amor ...

O autor deixa claro em seu texto que a trindade entende todas as nossas angustias, todos os nossos conflitos, todas as nossas frustrações, todo nosso desequilíbrio que é gerado pela construção de nossa vida na total independência de Deus, portanto nos mantém ignorantes, egoístas, presunçosos, medrosos, manipuladores, perdedores...

Repleto de fantásticas imagens, a todo momento somos presenteados com lindas metáforas, construindo o autor o seu estilo literário com muita criatividade e arte.

O enredo nos surpreende a cada página com lições de humildade, deslocando o sentido da história para um propósito superior de salvação pela cura através do amor.

Desenvolve-se a narrativa pela interação entre o Pai que persegue este objetivo e um dos seus filhos que por tragédias acontecidas torna-se desesperançado, revoltado, rancoroso, violento, pessimista, vitimado...
Dá-se o mais belo encontro entre o divino e o humano, com singularidade mostra o autor que o amor é a forma, devemos proporcionar àqueles a quem amamos gentilezas...

E assim segue o nosso bom Deus trabalhando a forma do relacionamento almejado para reconquistar seu filho que vai aos poucos crescendo em confiança, em afeto, em aceitação, em perdão, em paciência, em autoconhecimento, em quebra dos paradigmas, em entendimento, em responsabilidade devido às escolhas na vida, em emoções, em reconciliação, em justiça divina, em serviço,em lágrimas, em amor...

O livro não remete à culpa por erros cometidos, pelo contrário investe sua filosofia na proposta arrebatadora de sermos entregues plenamente a Santíssima Trindade para que possamos perceber a voz de Deus, na medida que este relacionamento se intensifica pela ação do Espírito Santo possamos discernir entre o que é bom, ou o que é mau em nossa evolução, desta maneira estaremos deixando de ser controladores de nossa vida e estaremos desistindo de nossa arrogância entregando nas mãos da divindade as chaves do cadeado de nossa independência recuperando a capacidade de viver na Verdade e na Justiça.
Além disso, a leitura nos proporciona a compreensão do por quê Deus permite acontecer tragédias em nossas vidas, convergindo toda a lição para a paciência e aceitação...

sábado, 21 de março de 2009

Tempo litúrgico

Acordei feliz!

Relendo as últimas impressões da reunião que tivemos com Claúdia, servidora de Nosso Senhor Jesus Cristo da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima - Rainha de Todos os Santos, quis escrever sobre a Quaresma.
É um tempo de conversão, meditação e penitência que prepara os crentes para a grande festa da Páscoa.
A duração da quaresma é de quarenta dias!
Contamos este tempo litúrgico, da quarta-feira de cinzas até o domingo de ramos, cabendo ressaltar que para o calendário litúrgico não se contam os domingos.
O tempo de quarenta dias baseia-se no simbolismo do número quarenta na Bíblia, que significa provação: dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de iniciar a sua vida pública, dos quatrocentos anos que durou o exílio dos judeus no Egito.
A quaresma significa a luta do Cristão voltada para a paz, o amor e a justiça em toda a humanidade que inclui a oração, a caridade e a penitência...
É uma verdadeira conversão de coração, de mudança de atitude, é a perfeita compreensão de que só se é justo quando colocamos Deus como a base, o alicerce de nossas vidas e como a sustentação de todos os nossos pensamentos.
No tempo de quaresma nos preparamos para principalmente, perdoar!
Devemos para isso nos aproximar de Deus e o fazemos pelo alimento de suas palavras, pois a Bíblia é Deus falando conosco para nos alimentar, sua leitura deve ser diária.
O convite da quaresma é para que fiquemos mais próximo de Jesus e sejamos o sal e a luz este mundo, a favor da vida e do amor.

terça-feira, 17 de março de 2009

Salvação, Amor e Libertação – Caminho de Resgate, Restauração e Reintegração

O caminho dos missionários cristãos do MCCM (Movimento Cristão Contra a Miséria) que se dedicam ao projeto de vida para resgate, recuperação e reintegração do homem à sociedade, através do evangelho integral e libertador, começa com a vontade de vencer conformismos e ideologias indo direto ao encontro das necessidades das 90 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza em nosso país.

Grande parte dos profissionais do sexo (prostitutas e travestis) e moradores de rua encontram barreiras morais/sociais para poderem freqüentar as nossas igrejas, o que levou a Missão SAL - Salvação, Amor e Libertação a pregar o Evangelho do Cristo nas praças, bares, bordéis, motéis, favelas, biqueiras e invasões...

O propósito desafiador da missão almeja chamar os cristãos a dar a vida como um gesto de amor em prol dos necessitados. Amar o próximo é mudar o rumo em prol do próximo.

É inexorável! Vivemos angustiados pela crônica falta de tempo, sem perceber nos contaminamos mastigando problemas, frustações, preocupações, medos, angustias, culpas, obrigações...

E lastimável! Sempre que tentamos colocar ordem em nossa vida deixamos de colocar Deus em primeiro lugar...

É fato! Não priorizar metas que nos fazem evoluir em sabedoria e espírito compromete o caminho para o autoconhecimento.

O ego comandando a nossa vontade compromete todo o processo de crescimento espiritual. O ego preenchido de orgulho envenena toda uma existência, suprime os sentidos, cega, desampara, desequilibra, vicia, fragiliza, deteriora, enlouquece...

O “Eu”, nossa consciência cósmica, despertará quando deixarmos de valorizar frivolidades e nos prepararmos para combater a nossa miséria espiritual.

Então para começar,estive refletindo a possibilidade de ser um dos que abraçam a missão para falar do amor de Deus para um de nossos irmãos travestis...

Ou, Quem sabe! pensei...

Passar a integrar um grupo de apoio à evangelização, selecionando uma de minhas noites e de posse de minha Bíblia me imaginei entrando em um bordel, escolhendo a melhor forma de abordar pessoas, e de modo apropriado começar a falar sobre o perdão, sobre a caridade, sobre o crescimento espiritual necessário que se adquire através da prática e do estudo do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, sobre a esperança, sobre como somos capazes de modificar a nossa própria realidade e a de poder ajudar a de muitos também...

Fico fascinada em querer entender o perfil das pessoas que abraçam este ministério!

Porque, entrar em uma realidade de alcoolismo, doenças espirituais gravíssimas, drogas, brutalidades,agressividades, intolerâncias é uma grande prova de amadurecimento não só de vida, como também de vivência plena na intimidade com Deus.

Digo isto, crendo que a pessoa que o abraça é realmente tocada pelo amor do Pai, é abençoada,é revestida pelo espírito santo...

Então o que devemos fazer para cooperar?

Orar muito por "elas" clamando a Deus que lhes abençôem com proteção, disciplina, desejo de vitória, fôlego, ânimo, vida, ajuda espiritual, ajuda financeira, alegria, capacitação, discernimento, sapiência, equilíbrio ...

Sei que você pensará: - Este não é um problema seu, a opção de vida que alguns fazem deve ser respeitada, as escolhas que fazemos na vida é um preço que devemos arcar, cabendo a Deus o juízo de nossos atos posto que temos a liberdade de escolha através do livre arbítrio.

Pergunto: - Mas isto não será omissão?

Ao optarmos fugir deste assunto corremos o risco de tornarmo-nos cada vez mais egocêntricos, fúteis, desprovidos de humanidade, acabamos afastando-nos da possibilidade de abraçar obras mais desafiadoras, que por certo nos exigirão mais renúncia, maior despojamento, integral cumplicidade, vontade de mudar, capacidade de aceitação, coragem para o envolvimento, maior tempo para o estudo, submissão à humildade, desenvolvimento do afeto, do respeito, da caridade, da singularidade, do comprometimento, da apreensão do amor...

O propósito da missão Sal não é o assistencialismo, o objeto de sua intenção é a recuperação de almas que devem e precisam ouvir, escutar a palavra de Deus como forma de resgatar a própria liberdade.

Neste ponto concordo que o livre arbítrio pese como forma de decisão. O excluído deseja ou não se transformar?

Não podemos interferir na sua escolha,penso caber ao missionário dobrar seus joelhos em oração, implorar intercessão para que o amor de cristo entre naquele coração indeciso de forma poderosa, quebrando as amarras, dissolvendo o aço das correntes que o aprisionam e o afastam de ser uma testemunha da misericórdia de Deus, do perdão, da humildade, do discernimento, da revelação, da sabedoria, do desejo que o leve a querer a ser mais um servidor na obra do Reino do Pai.

Revigora em mim a crença nos homens de bem da missão SAL, cujo plano de ação é o de quebrar velhos paradigmas que os levam a resgatar, restaurar e reintegrar os excluídos para que eles também tenham direito a vida de dignidade, plena e abundante.