quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Definição de Amor por Victor Hugo em "Os Miseráveis"

"A redução do universo a um único ser, a dilatação de um ser até Deus, eis o amor.
"O amor é a mutação dos anjos em astros.
"Como a alma é triste quando está triste por amor!
"Que vazio provoca a ausência do ser que só por si enche o mundo!
Oh! Como é verdade que o ser amado se transforma em Deus.
Compreendia-se que Deus tivesse ciúmes se o Pai de tudo não tivesse, evidentemente, feito a criação para a alma, e a alma para o amor.
"Basta um sorriso entrevisto sob um chapéu de crepe branco para que a alma entre no palácio dos sonhos.
"Deus está detrás de tudo, mas tudo esconde.
As coisas são negras, as criaturas são opacas. Amar um ser é torná-lo transparente.
"Certos pensamentos são orações.
Há momentos em que, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos.
"Os amantes separados, enganam a ausência com mil quimeras que, todavia, têm a sua realidade.
São impedidos de se verem;
Não podem escrever-se, mas encontram uma quantidade de meios misteriosos de se corresponderem.
Enviam o canto dos pássaros, o perfume das flores, o riso das crianças, a luz do sol, os suspiros do vento, as cintilações das estrelas, toda a criação.
E por que não?
Todas as obras de Deus são feitas para servir o amor.
O amor é bastante poderoso para encarregar toda a natureza de transportar as suas mensagens.
"Ó Primavera, és uma carta que lhe escrevo.
"O futuro pertence mais ainda aos corações do que aos espíritos.
Amar, eis a única coisa que pode ocupar e encher a eternidade.
Ao infinito, é preciso contrapôr o inexpugnável.
"O amor participa da própria alma.
Tem a mesma natureza.
Tal como ela é uma faísca divina, como ela é incorruptível, indivisível, imperecível.
É um foco que está dentro de nós, que é imortal e infinito, que nada pode limitar e que nada pode extinguir.
Sentimo-lo arder até a medula dos ossos e vemo-lo brilhar até o fundo do céu.
"Ó amor!
Adoração!
Voluptuosidade de dois espíritos que se compreendem, de dois corações que se trocam, de dois olhares que se penetram!
Quando virão as venturas?
Passeios a dois, nas solidões! Jornadas benignas e radiantes!
Algumas vezes sonhei que, de tempos a tempos a tempos, as horas se desligavam da vida dos anjos e vinham atravessar o destino dos homens.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sinfonia Vital

Notas Musicais!
Como elas, aguardávamos a magia do encontro!
Fazer parte da composição de vulto e extensão, a vida!
Nossos corações sonharam...
Antes, momentos angustiantes, eu passara!
O terror...
Grave decisão... da culpa, presa me fizera!
No início sonhara!
Do mel oferecido, aproveitara!
Muito, cativara!
Alma sublime, conquistara!
Noites enluaradas vivera!
Manhãs ao sol, amara!
A Praia!
O Mar!
A Fina Areia!
O Vento!
A Suave Brisa!
O amor, conquistara!
Contudo... previsível é o fim da estrada!
O sonho ao final, chegara!
Longo Tempo: Só... refletira!
No entanto, o exigente coração, tamanha solidão... reclamara!
Qual o sentido da vida?... insistira, ele!
Ora! Amar novamente... repetira-lhe!
Quem? ... duvidara!
O amor renova a esperança... gritara-lhe!
Veste de dourado, o dia... lembrara-lhe!
Surpreende... hesitara-lhe!
É cria da alegria, repara males... murmurara-lhe!
Aturdido...silenciara!
Pronta para o recomeço, , a cabeça, de novo... erguera!
No caminho....
O encontro revelara!
A felicidade é o refluxo da tristeza!
Enfim...
A esperança... o desengano desancara!
E, o meu coração, ainda criança, se encantara!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A Colonização na Idade Moderna - Parte I

A abordagem do processo histórico : "A Colonização na Idade Moderna", na Europa, será realizada em um período transcorrido, ao longo de um certo tempo...

Isto é, para a melhor análise do fenômeno da Colonização...

Então, estabeleceremos os momentos compreendidos entre os séculos XII a XVIII...

Houve três períodos históricos, neste trancorrer de tempo...

Eles são tidos como marco para esse estudo;

Podem ser interpretados como fases para a formação do Capitalismo:

I - O Renascimento Comercial e Urbano - Idade Média (Século XII)
II - A Expansão Marítima e Comercial - Idade Moderna (Século XV)
III - O início da Revolução Industrial - Idade Contemporânea (Século XVIII)

Para o melhor entendimento do processo histórico de cada um desses períodos, o conhecimento dos sistemas econômicos e sociais é benéfica ...

No Século XIV, época do Renascimento Comercial e Urbano, o Feudalismo procedia como o sistema econômico/social...

Esse sistema era constituído por duas classes sociais, na sociedade européia:

..."A Aristocracia", classe nobre ou privilegiada, na qual a extensão de terra onde havia um castelo do senhor feudal, era chamada de feudo,,,

... o feudo - propriedade nobre ou bens rústicos concedidos pelo senhor com a condição de vassalagem e prestação de serviços e uma vila para os servos...

O senhor feudal detinha direitos sob seus vassalos, como:

* permitir ou proibir casamentos entre eles;
* julgá-los e puni-los por crimes cometidos;
* cobrá-los taxas e serviços;

..."O Servo", ficava submisso ao Senhor Feudal, assumindo por esta razão, várias obrigações, como:

* prestar-lhe serviços sem remuneração;
* pagar-lhe tributo chamado Corvéia;
* entregar ao Senhor Feudal parte da produção nas terras que lhe eram cedidas - Talha

O Servo tinha como atividade principal trabalhar na lavoura, recebendo o título de camponês ...

O trabalho servil, compulsório, forçado é a principal característica deste sistema econômico...

O Feudalismo percorre um longo período no tempo, sendo dividido em:

I - "Alta Idade Média" - Século V ao Século XI - época marcada pelo Comércio local e inexpressivo; a constituição do trabalho servil...

II - "Baixa Idade Média" - Século XI ao Século XV- generalização do trabalho servil e seu declínio; poderosa influência da atividade econômica comercial...

No período do Antigo Regime(Século XV) dá-se a Transição do Feudalismo para o Capitalismo, época de início da Expansão Marítima e Comercial...

A transformação do Feudalismo...

Vários acidentes provocaram uma série de perturbações , no Ocidente da europa:

* A invasão e destruição do Império Romano pelos povos germânicos em 476 d.C. - Queda da Antiguidade Clássica - (Século V );

**Vindos do Norte da África, os mulçumanos tomam a península Ibérica (Século VII ao VIII)

**O leste europeu foi invadido pelos eslavos, magiares (Húngaros) e normandos - Vikings (Século IX)

** A presença desses povos traria consequências de desdobramentos importantes para a Europa:

*** A cultura religiosa islâmica;

*** O modo de trabalho agrário, diferenciava-se da Europa ocidental - não era servil;

***Nas técnicas de agricultura os invasores empreendiam métodos mais eficazes;

A economia essencialmente rural do sistema econômico/social da europa ocidental, possuía baixo nível tecnológico, o que resultava em uma capacidade produtiva muito pequena...

O frágil domínio do homem sobre a natureza...

As más colheitas colocavam em perigo a sobrevivência de todos, neste período enviavam alguém para adquirir por exemplo trigo, no comércio local ...

No Século XI, a aristocracia desenvolve algumas melhorias técnicas de produção rural como:

* O moinho de vento e água;

* A atrelagem do cavalo pelo colo no lugar da atrelagem pelo pescoço (asfixiava o animal);

* O arado e a enxada de ferro que trouxeram uma melhoria na produtividade rural;

Porém, a quantidade de alimento produzida não era o suficiente para atender a demanda da cidade...

Nesta fase a população já havia crescido demograficamente, devido ao período do cessar das invasões...

A área de cultivo expandiu-se, então a europa feudal alcançou um período de relativa prosperidade e estabilidade...

O expansionismo da economia medieval propiciou o movimento:

*do comércio e da manufatura;

*da circulação monetária;

* do crédito;

* do crescimento demográfico;

Mas, faltando excedentes para atender às necessidades de sua população urbana , houve um grande descontentamento...

A nova classe que surgia - a burguesia que era composta de artesãos e mercadores muito ricos dependiam da produção rural para se alimentar, os negócios só continuariam prosperando se os camponesese tivessem cada vez mais excedentes...

A burguesia já havia se preocupado com a ganância do senhoriato, que além de não promover o uso de inovação contínua da tecnologia para garantir a administração racional da produção rural, também não estimulava, o camponês, a se esforçar no aumento da produção, desta forma teriam que transferir uma maior parcela ao seu senhor...

A conclusão a que chegaram é que o sistema econômico vigente não propiciava o crescimento da produção agrícola e do comércio...

O Renascimento do Comércio e a Urbanização, no Séc. XIV, mudaram a face da Europa Ocidental...

A europa entra em crise, Século XIV, os europeus enfrentam :

*A fome com o ciclo das más colheitas em 1317;

*A peste negra que causa a morte de 1/3 da população européia;

*A guerra dos cem anos, conflito em Inglaterra e França ( 1337 a 1453);

*As Rebeliões no campo contra os senhores feudais;

*Nas cidades os artesãos empobrecidos se revoltaram contra os mercadores ricos (patriciado) que os governavam ;

*Cem anos de instabilidade, lutas, conflitos;

**A desorganização do sistema feudal que não conseguia promover o livre desenvolvimento do comércio, havia cobrança de pedágio pelos senhores feudais...

**O trabalho servil que não era adequado para atender o aumento da produtividade e abastecer o crescimento urbano...

**A Igreja que condenava o lucro e a cobrança de juros ...

**A crença de opinião geral, na época, qua a atividade comercial era ocupação inferior...

São os fatores que explicam o "climax" da crise e o declínio do Feudalismo...

O expansionismo, na economia medieval, ficou marcado por um período de estagnação e retrocesso...

Os fatores que propiciaram este expansionismo vincularam-se ao movimento:

*do comércio e da manufatura;

*da circulação monetária;

*do crédito;

*do crescimento demográfico;

A estagnação permaneceu...

...até que a "Descoberta da América" e a de "Uma Passagem para as Indias Orientais" pelo Cabo da Boa Esperança decolam a fase do início de recuperação européia...

Segundo Adam Smith, fundador da moderna ciência econômica (1723-1790), estes são os maiores e mais importantes eventos registrados na história da humanidade.

Bibliografia: Koshiba, Luiz e Manzi Frayse Pereira, Denise, História do Brasil no contexto da história ocidenta - Atual Editoral, 8. ed. rev., atual e ampl. - 2003

domingo, 18 de outubro de 2009

Eclipse

Da série "O Crepúsculo", a obra inspira-se no triângulo amoroso entre Bella, Edward e Jacob.

Sthephenie Meyer, neste enredo lembra-me, Shakspeare em "Sonhos de uma noite de verão" - Helena que amava Demétrio que amava Hérmia que amava Lisandro por quem era amada...

Daí...

Jacob que amava Bella que amava Edward por quem era amada...

Bem, como aprecio astronomia, irei relembrar os conceitos científicos do título do livro, bem como, interpretar a sua ligação com o enredo do romance...

O Eclipse é um fenômeno celeste que pode ocorrer de duas maneiras, genéricamente: o Lunar e o Solar.

O Eclipse Lunar ocorre quando a Lua penetra, totalmente ou parcialmente, no cone de sombra projetado pela Terra, em geral sendo visível a olho nu...

Isto ocorre sempre que o Sol, a Terra e a Lua se encontram próximos ou em perfeito alinhamento, estando a Terra no meio destes outros dois corpos...

Por isso o Eclipse Lunar só pode ocorre quando coincidem a fase de Lua Cheia e a passagem dada pelo seu nodo orbital...

A lua precisa estar atrás da Terra do ponto de vista de um observador no Sol...

Os Eclipses Lunares podem ser classificados de acordo com a parte da Lua que é obscurecida pela sombra da Terra, e por qual parte da sombra da Terra ela está sendo obscurecida...

O Eclipse Solar assim chamado, é um fenômeno raríssimo de alinhamento que ocorre quando a Lua se interpõe entre o Sol ocultando completamente a sua luz numa estreita faixa terrestre...

Então, a qual dos fenômenos a autora quis se referir quando nomeou o terceiro livro da série utilizando genericamente o nome da ocorrência?

Bem, decidi-me pelo "Lunar", e explico...

Neste o Sol , a Terra, e a Lua ficam em perfeito alinhamento tendo o planeta que dividir-se entre o chamado de seu fiel amigo o Sol e a inesgotável força de atração de seu satélite, a Lua gravitando em sua órbita invariavelmente...

Enfim, há um paralelo entre os protagonistas do triângulo amoroso com os astros que realizam o fenômeno...

Então, assim o registro...

O Sol...

É o enérgico Jacob que demonstra ter o calor do astro rei, sua grandeza, sua grandiosidade em poder servir à vida generosamente, sem nada pedir em troca...

A personalidade, do descendente Quilleute, possui as carascterísticas de uma obra prima que foi moldada com muito zelo, carinho, personalidade, discernimento, respeito, tradição, herança, mística, obediência, auto-estima, dignidade, encantamento, instinto selvagem, paixão...

As lendas indígenas ressaltam a virtude da bravura, da luta travada na perspectiva de garantir que a vida do mais fraco seja preservada...

Contraria, combate a sede de instintos malignos impaclavelmente...

A Terra...

É a delicada Bella Swan...

O encanto de sua juventuda é revestido do amadurecimento de uma alma senil, desprendida, pura, humilde, feminina, singular, frágil, humana, decidida, febril, contraditória, cúmplice, solitária, amante, fiel, fraterna, insegura, simples, sóbria, ...

Tal qual o planeta possui fascínios, mistérios, magia...

Seus antagonismos colocam-na ora, em zona tórrida revendo suas incertezas, seus sonhos, como humana... ora, em zona glacial para reafirmar seus propósitos, ponderando o seu futuro na eternidade...

Já a Lua...

É o intenso Edward...

Protagonista principal do enredo surpreende com o seu estilo, equilibrado total...

Pertencente ao mundo dos de natureza mental doentia, procura ferozmente livrar-se dos estigmas da maldição que o alcança: não se permite sentir prazer mediante ao sacrifício de vítimas; precisa reconquistar o sentimento da compaixão; reavalia o fundamento do descontrole sob as próprias emoções; quer escapar da vil necessidade de saciar a sede na droga, que aqui é a morte da vida inocente, a máxima alegria e êxtase; precisa reaver a sua dignidade, perdida ao possuir o poder da eternidade; dismistifica qualquer perenidade em satisfazer-se da maldade, da cobiça, da preguiça, da violência, matéria que o consome, pois a essência de sua dignidade, há muito foi perdida com a o aniquilamento de sua alma....

A matéria peincipal de sua disciplina é não se deixar dominar pelo instinto de conservaçao de sua espécie; equipa-se de maneira acertada para que não precise manchar o seu caráter, deteriorar a sua essência, deturpar a sua existência ...

A única coisa que o domina é o objeto de sua afeição intensa, a eterna amada...

Este amor ardente faz resplandecer com mais entusiasmo a sua determinação em lutar contra o seu ego para respeitar a humanidade dela...

Isto o motiva em rodeá-la, tal qual a Lua rodeia o seu planeta há milênios, apaixonadamente, inexoravelmente...

Mergulha em dedicação profunda ao seu projeto de vida plena, para tanto faz de seus dias um completo roteiro para doar a Bella muito afeto, carinho, zelo, proteção, mimos, delicadeza, aventura, sofreguidão, fidelidade, masculinidade, fulgor, rigor, favoritismo, felicidade, vida, amor...

Lindo romance, bom o bastante para ser lido, relido, lido novamente...

sábado, 19 de setembro de 2009

Le Déclin de L"Empire Américain

Obra cinematográfica, ano 1986, vencedor do Oscar melhor filme estrangeiro, Denys Arcand roteirista e diretor...

O roteiro é traçado para ser pensado o modo de vida de um grupo de pessoas pertencentes ao seleto mundo de intelectuais das Universidades do Quebec, Canadá.

Enquanto preparam o jantar, dois heteros, um homossexual e um bi-sexual discutem seus relacionamentos amorosos...

Em uma academia de ginástica, duas heteros e duas bi-sexuais do mesmo grupo, confessam suas fantasias amorosas...

A característica que mais se destaca no roteiro: a sede de vida do grupo buscada no sexo, apelando para o prazer carnal, sem traumas, sem culpas, sem censura ...

À mesa rasgam abertamente suas verdades, discutem sobre o relacionamento com os filhos, resgatam o significado do casamento, refletem a solidão, interagem pela amizade, disputam simpatias, partilham frustações, compartilham em conjunto as rotinas de uma família...

A maioria deles parece satisfeita aos seus títulos e projeções profissionais, não há mais o que almejar...

No entanto, a mais nova do grupo, ainda completando sua graduação em História, suscita ao companheiro, o desejo de consolidarem a relação, com a maternidade e a paternidade, idéia repudiada imediatamente pelo parceiro...

Parecem ter tudo, mas ao mesmo tempo, não se bastam, não são felizes...

Procuram no divertimento do sexo afujentar algo latente, talvez o medo da morte ou quem sabe da velhice...

O filme é uma ótima oportunidade para se refletir os nossos valores e confrontá-los com os destas pessoas...

O bizarro é a continuidade do pensamento milenar que o império americano adota para a construção de egos individualistas...

Nesta construção o que se vê: uma sociedade fria, hipócrita, libidinosa, debochada
, dissoluta, imoral, pervertida, dissimulada e perversa ...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Arria Marcella e Octavien

A propósito do amor...

A paixão é uma criação de nossa mente ou é uma necessidade que sentimos de tentar preencher os espaços vazios que trazemos no nosso ego para sentir a plenitude da vida?

É fato que a paixão nos promove sublime transformação: faz com que, ao nosso redor, tudo se desvaneça...

É uma comoção que faz jorrar de nosso peito centelhas...

Ardentemente pulsamos pela pessoa amada!

Tocou-me a paixão de um homem no século XIX, por uma mulher que viveu no ano 79 de nossa era...

Trata-se de uma fantástica novela publicada em 1852, na qual, a áurea de fantasia criada somente revela o quão distante de nós, está a concretização dos nossos desejos...

Octavien um jovem francês de Paris, mais poético que apaixonado, amara loucamente todos os tipos femininos conservados pela história...

... Helena, amada também por Fausto; Cleópatra; Semíramis; Diane de Poitiers; Joana de Aragão foram-lhe sublimes personificações de seus desejos...

Visitando a Itália, com seus dois amigos Max e Fábio, observam no Museu dos Studii em Nápoles, diferentes objetos antigos exumados das escavações de Pompéia e Herculano...

Danificada por um terremoto no ano 63, Pompéia estava em reconstrução quando no ano 79 de nossa era, perecera na erupção do Vesúvio, ocorrida a 24 de Agosto, deste mesmo ano.

O aspecto de Pompéia após XIX séculos da erupção do Vesúvio: mantém ainda cartazes de espetáculos, ofertas de locação, fórmulas votivas, tabuletas, anúncios de todas as espécies...

...as casas de telhados desabados deixam descobrir os mistérios de seus interiores nos detalhes domésticos, as fontes estancadas, o fórum, os templos consagrados aos deuses, as lojas, os cabarés, as casernas, os teatros de drama e de cânticos permanecem estanques em suas ruas, através das ruínas...

Absorto e aturdido diante de uma vitrine do museu, Octavien contempla profundamente o fragmento de molde de estátua, o corte de um seio admirável e de um flanco tão puro de estilo quanto o de um estátua grega, diz o escritor...

Isto excitara em Octavien impulsos que o levariam a experimentar bizarra experiência, numa Pompéia pulsando de vida, pouco antes de sua destruição...

Nela, depara-se com Arria Marcella, mulher de pele morena cabelos ondulados e frisados, pretos como os da Noite, erguiam-se ligeiramente para as têmporas à moda grega, seus olhos sombrios e doces lançararam Octavien em ardente devaneio...

Uma voz gritou-lhe do fundo do coração que esta era a mulher sufocada pela cinza do Vesúvio ligada ao fragmeto de molde de estátua objeto exumado das escavações no sítio arqueológico, agora em exposição para visitação em Nápoles...

Diante daquela presença compreendeu que estava diante de seu primeiro e último amor...

Sua alma voltara a ser virgem de toda emoção anterior, o passado deixara de existir...

Arria Marcella voltando seus olhos para Octavien sussurrara-lhe:o teu pensamento ardente ao contemplar a lama endurecida que conserva a minha forma, minha alma o sentiu nesse mundo em que flutuo aos olhos grosseiros;

Não se está verdadeiramente morta senão quando não se é mais amada; teu desejo devolveu-me a vida...

Octavien acabara de viver um dia no reinado de Tito e de fazer-se amar por Arria Marcella, deitada do lado dele, numa cidade destruída para todo mundo...

Ao dobre da saudação angélica um suspiro de agonia deixou o peito partido da jovem e o infeliz não viu mais ao lado dele, senão uma pitada de cinzas misturada com alguns ossos calcinados...

A partir desta viagem a Pompéia o nosso jovem ficou presa de melancolia taciturna, não encontrou jeito de decepar sua dor, resistente, o encanto pela amada Arria, o impediu de experimentar a plenitude da vida com outra paixão...

domingo, 6 de setembro de 2009

Entre todos os homens - Parte I - Carlos Alberto Libânio Filho

Frei Betto é escritor, religioso dominicano e adepto da Teologia da libertação, corrente cristã, desenvolvida no Terceiro Mundo e periferia do Primeiro Mundo, a partir dos anos 70, do século XX.

A Teologia da Libertação baseia a sua reflexão na situação da pobreza e exclusão social à luz da fé cristã...

A sua principal característica é considerar o pobre, não como objeto de caridade, mas como sujeito de sua própria libertação...

Assim, seus teólogos propõem uma pastoral baseada nas comunidades eclesiais de base, nas quais os cristãos das classes populares se reunem para articular fé e vida, e juntos se organizam em busca de melhorias de suas condições sociais, através da militância no movimento social ou através da política, tornando-se protagonista do processo de libertação.

Este teólogo, sonhador de um mundo melhor para todos os homens, nos presenteia com a obra: "Entre todos os homens" , romance de emocionar o leitor, fazendo-o refletir o sentido da vida...

A mensagem da Boa Nova é revelada por um Cristo de amor, de liberdade, de justiça, de solidariedade, de alegria...

O romance, em rigorosa pesquisa histórica, resgata dos evangelhos uma narrariva que situa o leitor nos primeiros anos da era cristã, nas disputas e intrigas que dilaceravam o Império Romano...

Vale a pena citar, nesta primeira parte, algumas pérolas retiradas de alguns capítulos:

"...Á Jesus só não atraem as cansativas lições sobre a lei mosaica. Gosta das histórias do Gênesis e do Êxodo, diverte-se com a mula de Balaão nos Números, fica atento aos princípios éticos de Deuteronômio. Contudo, a longa lista de permissões e proibições do Pentateuco causa-lhe enfado."

Busca compensar o fastio com a leitura dos livros históricos e sapienciais.

No Livro de Tobias sublinha um axioma: Não faças a ninguém o que não gosta que façam a ti.

Lê com entusiasmo o profeta Isaías, tão antigo e, no entanto, soa-lhe muito atual: Este jejum que me agrada: derrubar as prisões injustas, desfazer as correntes do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e repartir a comida com quem passa fome.

Grava no coração a promessa do profeta Daniel: O Deus do céu fará aparecer um reino que nunca será destruído.

E deste reino fala para Nicodemus,:

"Asseguro-te que quem não nascer de novo não verá o Reino de Deus. Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasce da carne é carne, o que nasce do Espírito é Espírito.

Não te admires de te haver dito: Deves nascer do alto. O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com o aquele que nasce do Espírito."