sábado, 19 de setembro de 2009

Le Déclin de L"Empire Américain

Obra cinematográfica, ano 1986, vencedor do Oscar melhor filme estrangeiro, Denys Arcand roteirista e diretor...

O roteiro é traçado para ser pensado o modo de vida de um grupo de pessoas pertencentes ao seleto mundo de intelectuais das Universidades do Quebec, Canadá.

Enquanto preparam o jantar, dois heteros, um homossexual e um bi-sexual discutem seus relacionamentos amorosos...

Em uma academia de ginástica, duas heteros e duas bi-sexuais do mesmo grupo, confessam suas fantasias amorosas...

A característica que mais se destaca no roteiro: a sede de vida do grupo buscada no sexo, apelando para o prazer carnal, sem traumas, sem culpas, sem censura ...

À mesa rasgam abertamente suas verdades, discutem sobre o relacionamento com os filhos, resgatam o significado do casamento, refletem a solidão, interagem pela amizade, disputam simpatias, partilham frustações, compartilham em conjunto as rotinas de uma família...

A maioria deles parece satisfeita aos seus títulos e projeções profissionais, não há mais o que almejar...

No entanto, a mais nova do grupo, ainda completando sua graduação em História, suscita ao companheiro, o desejo de consolidarem a relação, com a maternidade e a paternidade, idéia repudiada imediatamente pelo parceiro...

Parecem ter tudo, mas ao mesmo tempo, não se bastam, não são felizes...

Procuram no divertimento do sexo afujentar algo latente, talvez o medo da morte ou quem sabe da velhice...

O filme é uma ótima oportunidade para se refletir os nossos valores e confrontá-los com os destas pessoas...

O bizarro é a continuidade do pensamento milenar que o império americano adota para a construção de egos individualistas...

Nesta construção o que se vê: uma sociedade fria, hipócrita, libidinosa, debochada
, dissoluta, imoral, pervertida, dissimulada e perversa ...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Arria Marcella e Octavien

A propósito do amor...

A paixão é uma criação de nossa mente ou é uma necessidade que sentimos de tentar preencher os espaços vazios que trazemos no nosso ego para sentir a plenitude da vida?

É fato que a paixão nos promove sublime transformação: faz com que, ao nosso redor, tudo se desvaneça...

É uma comoção que faz jorrar de nosso peito centelhas...

Ardentemente pulsamos pela pessoa amada!

Tocou-me a paixão de um homem no século XIX, por uma mulher que viveu no ano 79 de nossa era...

Trata-se de uma fantástica novela publicada em 1852, na qual, a áurea de fantasia criada somente revela o quão distante de nós, está a concretização dos nossos desejos...

Octavien um jovem francês de Paris, mais poético que apaixonado, amara loucamente todos os tipos femininos conservados pela história...

... Helena, amada também por Fausto; Cleópatra; Semíramis; Diane de Poitiers; Joana de Aragão foram-lhe sublimes personificações de seus desejos...

Visitando a Itália, com seus dois amigos Max e Fábio, observam no Museu dos Studii em Nápoles, diferentes objetos antigos exumados das escavações de Pompéia e Herculano...

Danificada por um terremoto no ano 63, Pompéia estava em reconstrução quando no ano 79 de nossa era, perecera na erupção do Vesúvio, ocorrida a 24 de Agosto, deste mesmo ano.

O aspecto de Pompéia após XIX séculos da erupção do Vesúvio: mantém ainda cartazes de espetáculos, ofertas de locação, fórmulas votivas, tabuletas, anúncios de todas as espécies...

...as casas de telhados desabados deixam descobrir os mistérios de seus interiores nos detalhes domésticos, as fontes estancadas, o fórum, os templos consagrados aos deuses, as lojas, os cabarés, as casernas, os teatros de drama e de cânticos permanecem estanques em suas ruas, através das ruínas...

Absorto e aturdido diante de uma vitrine do museu, Octavien contempla profundamente o fragmento de molde de estátua, o corte de um seio admirável e de um flanco tão puro de estilo quanto o de um estátua grega, diz o escritor...

Isto excitara em Octavien impulsos que o levariam a experimentar bizarra experiência, numa Pompéia pulsando de vida, pouco antes de sua destruição...

Nela, depara-se com Arria Marcella, mulher de pele morena cabelos ondulados e frisados, pretos como os da Noite, erguiam-se ligeiramente para as têmporas à moda grega, seus olhos sombrios e doces lançararam Octavien em ardente devaneio...

Uma voz gritou-lhe do fundo do coração que esta era a mulher sufocada pela cinza do Vesúvio ligada ao fragmeto de molde de estátua objeto exumado das escavações no sítio arqueológico, agora em exposição para visitação em Nápoles...

Diante daquela presença compreendeu que estava diante de seu primeiro e último amor...

Sua alma voltara a ser virgem de toda emoção anterior, o passado deixara de existir...

Arria Marcella voltando seus olhos para Octavien sussurrara-lhe:o teu pensamento ardente ao contemplar a lama endurecida que conserva a minha forma, minha alma o sentiu nesse mundo em que flutuo aos olhos grosseiros;

Não se está verdadeiramente morta senão quando não se é mais amada; teu desejo devolveu-me a vida...

Octavien acabara de viver um dia no reinado de Tito e de fazer-se amar por Arria Marcella, deitada do lado dele, numa cidade destruída para todo mundo...

Ao dobre da saudação angélica um suspiro de agonia deixou o peito partido da jovem e o infeliz não viu mais ao lado dele, senão uma pitada de cinzas misturada com alguns ossos calcinados...

A partir desta viagem a Pompéia o nosso jovem ficou presa de melancolia taciturna, não encontrou jeito de decepar sua dor, resistente, o encanto pela amada Arria, o impediu de experimentar a plenitude da vida com outra paixão...

domingo, 6 de setembro de 2009

Entre todos os homens - Parte I - Carlos Alberto Libânio Filho

Frei Betto é escritor, religioso dominicano e adepto da Teologia da libertação, corrente cristã, desenvolvida no Terceiro Mundo e periferia do Primeiro Mundo, a partir dos anos 70, do século XX.

A Teologia da Libertação baseia a sua reflexão na situação da pobreza e exclusão social à luz da fé cristã...

A sua principal característica é considerar o pobre, não como objeto de caridade, mas como sujeito de sua própria libertação...

Assim, seus teólogos propõem uma pastoral baseada nas comunidades eclesiais de base, nas quais os cristãos das classes populares se reunem para articular fé e vida, e juntos se organizam em busca de melhorias de suas condições sociais, através da militância no movimento social ou através da política, tornando-se protagonista do processo de libertação.

Este teólogo, sonhador de um mundo melhor para todos os homens, nos presenteia com a obra: "Entre todos os homens" , romance de emocionar o leitor, fazendo-o refletir o sentido da vida...

A mensagem da Boa Nova é revelada por um Cristo de amor, de liberdade, de justiça, de solidariedade, de alegria...

O romance, em rigorosa pesquisa histórica, resgata dos evangelhos uma narrariva que situa o leitor nos primeiros anos da era cristã, nas disputas e intrigas que dilaceravam o Império Romano...

Vale a pena citar, nesta primeira parte, algumas pérolas retiradas de alguns capítulos:

"...Á Jesus só não atraem as cansativas lições sobre a lei mosaica. Gosta das histórias do Gênesis e do Êxodo, diverte-se com a mula de Balaão nos Números, fica atento aos princípios éticos de Deuteronômio. Contudo, a longa lista de permissões e proibições do Pentateuco causa-lhe enfado."

Busca compensar o fastio com a leitura dos livros históricos e sapienciais.

No Livro de Tobias sublinha um axioma: Não faças a ninguém o que não gosta que façam a ti.

Lê com entusiasmo o profeta Isaías, tão antigo e, no entanto, soa-lhe muito atual: Este jejum que me agrada: derrubar as prisões injustas, desfazer as correntes do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e repartir a comida com quem passa fome.

Grava no coração a promessa do profeta Daniel: O Deus do céu fará aparecer um reino que nunca será destruído.

E deste reino fala para Nicodemus,:

"Asseguro-te que quem não nascer de novo não verá o Reino de Deus. Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasce da carne é carne, o que nasce do Espírito é Espírito.

Não te admires de te haver dito: Deves nascer do alto. O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com o aquele que nasce do Espírito."