sexta-feira, 3 de abril de 2009

A graciosa cadelinha Nina e Bob o Pincher valentão

Às vezes, penso nos momentos interessantes que teria perdido se Nina, a minha cadelinha Yorkshire, não tivesse chegado....

Ganhei a Nina de uma amiga!

Ela, impossibilitada de cuidar de cães por tempo indeterminado, me ligou dizendo:

- Tenho uma proposta para te fazer... Eu não posso mais cuidar da Nina. Eu gostaria que você ficasse com ela...

- Como? Por quê? retorqui...

Ela me explicou toda a situação pela qual estava passando...

Insisitiu para que eu não recusasse a proposta sem antes refletir.

Com muito pesar falou-me das características de Nina: de seu comportamento calmo, gentil, de sua inteligência, de sua timidez, de sua graça, de sua obediência, de sua companhia ...

Ponderei que o momento era bastante delicado para a minha amiga!

Ela havia cuidado de Nina desde a idade de bebê até os três anos, havia investido do seu tempo para que a cadelinha tivesse a oportunidade de experimentar a maternidade, foi sua enfermeira na ocasião e a babá de seus filhotes até o desmame...

Além do mais sei que a minha amiga tem uma profunda amizade e respeito pelos animais!

Compreendi o seu drama quando ela referiu-se ao tormento que passaria sem saber como o animal estaria sendo tratado caso a cadelinha fosse para outra casa em local distante da sua...

Era o mês de junho de 2008...

Clara, minha filha de nove anos já pedia há muito tempo um filhote de cachorro para amar e cuidar...

Havíamos feito umas tentativas de adoção de animais, que resultaram em desastre absoluto!

Isto havia determindo a minha relutância em aceitar outras experiências de mesma intensidade...

Pois bem, irei relatar a primeira delas!

Recebi em minha casa, por tempo determinado, em caráter de pura experimentação um "pincher" de dois aninhos, chamado Bob...

Morava "o audaz" em Juiz de Fora, sendo seu dono um menino de doze anos...

Os motivos que fizeram o vivaz cãozinho a ter que trocar de moradia não valem a pena serem discutidos, por isto vamos direto para a viagem do esperto Bob, ao Rio de Janeiro.

Quem o trouxe foi minha irmã mais velha; vieram de carro: ela dirigindo, ele dentro de sua casinha azul, bem quieto, altamente desconfiado, sonolento e com muito medo...

Eu aguardava o momento de sua chegada completamente metida em minhas reflexões: "Como seria a minha vida tendo que compartilhá-la com mais um novo membro na família..."

Já havíamos adotado a Jasmim (uma porquinha da índia), mais a Camila e a Suzana (duas ramsters fêmeas)...

A rotina de uma casa é bastante arrojada para quem é disciplinado e exigente...

Pois bem, além de todas as tarefas de uma administradora do lar, também sou responsável pela educação de minha filha, tanto no que concerne a estimulá-la à pratica da leitura, como ao estímulo para o estudo dos conteúdos programáticos de todas as disciplinas do colégio, temos por meta em todo ano letivo manter média acima de 70 (setenta) em todos os trimestres.

Cuido também do mesmo desenvolvimento nas atividades extras-classe que se fizerem necessárias em sua vida de criança e estudante...

Clara estuda inglês e faz nado sincronizado...

Ela necessita da companhia de um adulto para acompanhá-la aos locais em que precisa se deslocar quer seja a pé, de ônibus, ou de táxi...

Cabe a mim protegê-la dos perigos que assolam a nossa sociedade, eles trazem a sombra da insegurança, do medo, que conhecemos de sobejo por tudo que passamos de torpe e aflitivo, neste espetáculo de horror, desumanidade que insiste em se instalar ...

Além do mais tenho que trabalhar para pagar contas, programar metas e sonhos...

Eis que o som da campanhia faz-me retornar!

Abro a porta!

Vejo bem em frente a mim um belo animalzinho de olhos cor verdes, pêlo cor de mel, tímido, num corpinho franzino, abanando timidamente um rabinho, estático, observador, melancólico....

Naquele momento joguei para o alto todas as minhas dúvidas, percebi que o pincher não podia ficar naquela situação...

Resolvi dar a ele uma oportunidade e encarei a experiência da melhor maneira, no entanto...

Não tinha a menor idéia do que me aguardava! ...

Bob no início era muito obediente, era também bastante educado até perceber que estava em segurança com pessoas que não o destratavam, que não o espancavam, não o deixavam com fome...

Naquela época a única restrição em casa era: "Proibido cachorro subir em cama e sofá!"

Ele tinha muitos brinquedos, gostava de fazer graça escolhendo momentos de pressão, devido a alguma travessura, para deitar de barriga para cima pedindo carinho...

Não queria ficar só, à noite chorava inconformado de ter que dormir em local separado de nós na casa!

Apesar de seus dois anos, roía todos os móveis da casa principalmente quando ficava sozinho além de costumar derrubar o que via e podia alcançar em cima de móveis, prateleiras, escrivaninhas...

Além do mais, não suportando solidão,quando me via arrumada e pronta para sair latia incessantemente até a hora de alguèm retornar à casa...

Tentando aplacar a ansiedade do precioso cãozinho, resolvi que o melhor era: passar a levá-lo todos os dias para caminhar.

Uma ótima oportunidade para conhecer "o lado animal de Bob"

Logo compreendi! Ele não suporta nenhum ser do sexo masculino adulto!

Ao avistá-los na rua, rosnava bravamente, assumia a posição de ataque ao inimigo: sua intenção era exterminá-los.

Minha atitude no início era de pura perplexidade.

Pedia desculpas por ele,desviava do trajeto rapidamente, puxando Bob pela guia firmemente.

Outro lado do menino valente era a carência e o medo. Muitas vezes no meio da caminhada, ele estancava as passadas , mirava um ponto qualquer à frente e sem a menor cerimônia com um olhar suplicante, pedia colo.

Como qualquer cachorro odiava a hora do banho, entrava em sua casinha e não havia jeito de tirá-lo de lá.

Numa daquelas noites minha irmã chegou com um presente para o valentão: era uma blusa preta com o escudo da "Polícia Federal", mais biscoitos caninos que foram devorados vorazmente.

Os dias transcorriam céleres...

Até que...

Mais uma traquinagem aconteceu: encontrei a sandália de uma aluna minha estraçalhada em sua despedida...

Devido ao seu temperamento avesso a qualquer indivíduo de fala grossa, barba, pêlos, e coisa e tal ficamos com um problema a resolver.

A atitude de Bob afastava de nossa casa as visitas de meu irmão, primos, amigos, vizinhos.

Já com as mulheres...

Ele adorava pedir carinho, proteção...

Por mais que eu me encantasse com o jeito dele fui admitindo que ele esbanjava energia; era lamentável que um cão com características vibrantes ficasse trancafiado em um apartamento a maior parte do dia...

Ele merecia espaço! E atenção...

Então resolvemos que ele iria passar uns dias em Vargem Grande em um condomínio, na casa de uma pessoa muito linda,que queria um cão para dar de presente para a mãe que vivia em uma casa com quintal em Santa Tereza...

Não quis me despedir!

Algum tempo depois...

E, lá estava ele saindo e entrando a qualquer hora da casa saboreando os prazeres da liberdade, Circulava pelo condomínio como um cão dono de seu nariz, sem traumas ou desespero ou solidão.

Hoje, Bob vive em Araruama em uma casa que tem muitas crianças bonitão, valentão e muito feliz!