terça-feira, 15 de setembro de 2009

Arria Marcella e Octavien

A propósito do amor...

A paixão é uma criação de nossa mente ou é uma necessidade que sentimos de tentar preencher os espaços vazios que trazemos no nosso ego para sentir a plenitude da vida?

É fato que a paixão nos promove sublime transformação: faz com que, ao nosso redor, tudo se desvaneça...

É uma comoção que faz jorrar de nosso peito centelhas...

Ardentemente pulsamos pela pessoa amada!

Tocou-me a paixão de um homem no século XIX, por uma mulher que viveu no ano 79 de nossa era...

Trata-se de uma fantástica novela publicada em 1852, na qual, a áurea de fantasia criada somente revela o quão distante de nós, está a concretização dos nossos desejos...

Octavien um jovem francês de Paris, mais poético que apaixonado, amara loucamente todos os tipos femininos conservados pela história...

... Helena, amada também por Fausto; Cleópatra; Semíramis; Diane de Poitiers; Joana de Aragão foram-lhe sublimes personificações de seus desejos...

Visitando a Itália, com seus dois amigos Max e Fábio, observam no Museu dos Studii em Nápoles, diferentes objetos antigos exumados das escavações de Pompéia e Herculano...

Danificada por um terremoto no ano 63, Pompéia estava em reconstrução quando no ano 79 de nossa era, perecera na erupção do Vesúvio, ocorrida a 24 de Agosto, deste mesmo ano.

O aspecto de Pompéia após XIX séculos da erupção do Vesúvio: mantém ainda cartazes de espetáculos, ofertas de locação, fórmulas votivas, tabuletas, anúncios de todas as espécies...

...as casas de telhados desabados deixam descobrir os mistérios de seus interiores nos detalhes domésticos, as fontes estancadas, o fórum, os templos consagrados aos deuses, as lojas, os cabarés, as casernas, os teatros de drama e de cânticos permanecem estanques em suas ruas, através das ruínas...

Absorto e aturdido diante de uma vitrine do museu, Octavien contempla profundamente o fragmento de molde de estátua, o corte de um seio admirável e de um flanco tão puro de estilo quanto o de um estátua grega, diz o escritor...

Isto excitara em Octavien impulsos que o levariam a experimentar bizarra experiência, numa Pompéia pulsando de vida, pouco antes de sua destruição...

Nela, depara-se com Arria Marcella, mulher de pele morena cabelos ondulados e frisados, pretos como os da Noite, erguiam-se ligeiramente para as têmporas à moda grega, seus olhos sombrios e doces lançararam Octavien em ardente devaneio...

Uma voz gritou-lhe do fundo do coração que esta era a mulher sufocada pela cinza do Vesúvio ligada ao fragmeto de molde de estátua objeto exumado das escavações no sítio arqueológico, agora em exposição para visitação em Nápoles...

Diante daquela presença compreendeu que estava diante de seu primeiro e último amor...

Sua alma voltara a ser virgem de toda emoção anterior, o passado deixara de existir...

Arria Marcella voltando seus olhos para Octavien sussurrara-lhe:o teu pensamento ardente ao contemplar a lama endurecida que conserva a minha forma, minha alma o sentiu nesse mundo em que flutuo aos olhos grosseiros;

Não se está verdadeiramente morta senão quando não se é mais amada; teu desejo devolveu-me a vida...

Octavien acabara de viver um dia no reinado de Tito e de fazer-se amar por Arria Marcella, deitada do lado dele, numa cidade destruída para todo mundo...

Ao dobre da saudação angélica um suspiro de agonia deixou o peito partido da jovem e o infeliz não viu mais ao lado dele, senão uma pitada de cinzas misturada com alguns ossos calcinados...

A partir desta viagem a Pompéia o nosso jovem ficou presa de melancolia taciturna, não encontrou jeito de decepar sua dor, resistente, o encanto pela amada Arria, o impediu de experimentar a plenitude da vida com outra paixão...

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